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Rituais Judaicos
 
 
 RITUAL FÚNEBRE

Falecimento:
Constatado com certeza o óbito, deve-se abrir as janelas do recinto, tirar-lhe os adornos (anéis, brincos, aliança, relógio, peruca, correntes, etc.).
De acordo com a tradição mística judaica, a pessoa quando morre se encontra com o criador. E seria indecoroso contemplar a Presença Divina ao mesmo tempo em que observa as coisas mundanas. Fechando-se os olhos do(a) falecido(a) para o mundo físico, permitimos que ele os abra para a paz do mundo espiritual. Geralmente é o filho quem pratica este ato, em lembrança das palavras confortantes de Deus ao patriarca Jacob: "Teu filho José colocará as mãos sobre teus olhos"( Gênesis 46:4 ).
Cobre-se o corpo com lençol branco. Se deixássemos o corpo exposto, estaríamos limitando nossa perspectiva a realidade física da morte. Cobrindo-o, tentamos conservar a imagem da pessoa em vida, e alargamos nossa visão para abranger uma dimensão espiritual.
Coloca-se cuidadosamente no chão ( no caso de um velório apropriado, em cima de uma mesa de pedra), com os pés voltados em direção à porta. Deve-se colocar algo sob sua cabeça, de tal forma que fique um nível levemente superior ao resto do corpo.
Acender três velas próximo à sua cabeça, "O espírito do homem é a vela do Senhor"(Provérbios 20:27). A luz das boas ações praticadas pelo(a) falecido(a) ao longo da vida o acompanhará ao repouso eterno.
Os familiares deverão providenciar seu pronto sepultamento. A lei judaica ordena que o corpo seja sepultado o mais breve possível, de preferência no mesmo dia "seu cadáver não poderá permanecer ali durante a noite, mas tu o sepultarás no mesmo dia" ( Deuteronômio 21:23 ). Adiar o sepultamento é visto como um desrespeito para com o morto e uma interferência nos planos do Criador.
Por último os familiares munidos dos documentos legais ( atestado de óbito, RG, certidões etc.) providenciar imediatamente um caixão.
A comunidade judaica conta em vários estados Brasileiros, com a Chevra Kadisha uma entidade que providencia tudo deixando os familiares totalmente despreocupados. 

O Caixão:
O caixão é igual para todos os Judeus (respeitando-se o tamanho), ele deve ser o mais simples possível, de madeira, na cor preta, e com o símbolo da Estrela de David na cor branca estampada na parte superior da tampa do caixão na altura da cabeça ou trabalhada em relevo. Esta padronização e simplicidade simboliza que a morte iguala todos os Homens, independente da condição social, cultural., idioma, que adquiriram enquanto vivos.

Velório:
Com a chegada do caixão, coloca-se o corpo do falecido(a) cuidadosamente dentro e fecha-se. Os Judeus não velam seus mortos com caixão aberto, acreditam que com isso a última lembrança da pessoa que ficará na mente, é dela viva, e assim que querem lembrar-se dela, além do que a exibição do morto é considerada uma desonra e desrespeito ao falecido.
Três velas deverão ser acesas no castiçal e mantidas até a saída do féretro. As pessoas devem ler salmos em intenção à alma do falecido, mencionar as virtudes e as boas ações dele. No tocante ao envio de flores, este é um procedimento não adotado pelo judaísmo ( misturar vida com morte), caso a família receba deve aceitar e colocá-las numa sala próxima ao velório e não leva-las ao cemitério. Também não é costume se tocar nenhum tipo de música durante o velório. O corpo não deve ficar sozinho em hipótese nenhuma, de dia ou de noite, e ninguém deve comer, beber ou fumar no recinto em que ele se encontrar.
Até o sepultamento, deve-se dar aos enlutados plena vazão à sua dor, e não se deve oferecer condolências.

Condolências:
A preocupação com o bem estar mental, emocional e espiritual dos enlutados, e a necessidade de consolá-los, é um dever fundamental do Judaísmo.
É costume entre os Judeus, não se cumprimentar os enlutados. Já que as palavras não podem expressar adequadamente os profundos pêsames, é melhor não dizer nada. O visitante não deve abrir conversa com os enlutados, aguardando que estes o façam.

Vestimentas:
Apesar dos Judeus não adotarem a cor preta como de luto, é de bom tom que os visitantes estejam trajados com cores sóbrias e principalmente trajados decorosamente, com devido respeito e senso de reverência. A única exigência que as cabeças estejam cobertas ( os homens com KIPÁ, normalmente estão disponíveis na entrada do cemitério, em último caso até um lenço de bolso ).

Os Enlutados:
No judaísmo só existem sete pessoas pelos quais homens e/ou mulheres devem observar as Leis do Luto, são elas: Pai e Mãe, Filho e Filha, Irmão e Irmã, Esposo e Esposa ( pela(o) ex-esposa(o), já divorciados pela Lei Judaica, não ; pelo(a) noivo(a) também não). Por um bebê não haverá Luto no caso deste morrer até o 30º dia (inclusive). Antes de enterrar um bebê (ou feto), se menino é necessário circuncizá-lo e dar-lhe um nome, se menina apenas dar-lhe um nome. 

Quem Pode ir ao Cemitério:
O critério religioso de entrada no cemitério é feita da seguinte forma:
Mulheres grávidas e/ou lactantes não podem ir ao cemitério, critério dos Ashkenazim (Judeus Europeus). Para os Sefaradim ( Judeus Árabes) as mulheres em geral não podem entrar em um cemitério e tão pouco seguir o cortejo ( os Judeus consideram o cemitério um lugar impuro, e as mulheres devem ser preservadas).
Qualquer Judeu da linhagem dos sacerdotes (Cohen), não entram em cemitérios.
A entrada em um cemitério pela primeira vez, só é permitida aos órfãos.
Caso um filho queira acompanhar um enterro de um amigo ou parente (exceto Pai e Mãe), ele só poderá entrar no cemitério (pela primeira vez), com o consentimento de seu pai, e mesmo assim só poderá fazê-lo acompanhado por ele pelas mãos.

Enterro:
Todo o tempo em que o falecido não estiver sepultado, considera-se que essa alma não está em repouso, por isso o sepultamento deverá ser realizado tão logo possível.
O enterro só aguardará a chegada de um filho ou filha que se encontram em locais distantes ou por causa do SHABAT ( 6ª feira no por do sol até sábado no por do sol) ou de um IOM TOV ( dias festivos ), ou afim de enterrá-lo na terra de Israel, mesmo assim não poderá pernoitar insepulto mais do que três noites. 

Chegando ao Cemitério:
O cortejo entrará no cemitério pela porta que tem o vão superior aberto simbolizando que por ali entram mortos e vivos, pois não tem barreiras, e irá direto à BÊT TAHARA (Casa de Purificação).
A origem desta tradição milenar se encontra no Livro de Eclesiastes: "Assim como veio, assim irá". Da mesma forma que um recém nascido é imediatamente lavado e ingressa no mundo fisicamente limpo e espiritualmente puro, assim também aquele que parte é simbolicamente purificado através do ritual da TAHARÁ.
No mínimo três SHAMASHIN ( pessoas qualificadas e treinadas para lavagem e purificação) são necessárias, desde que não sejam parentes do falecido, homens lavarão os homens e mulheres lavarão as mulheres.
Tira-se o corpo delicadamente do caixão, e coloca sobre uma mesa.
Despe-se o corpo cortando-lhe as roupas para evitar movimentá-lo ( incomodá-lo), caso a roupa tenha vestígio de sangue esta parte deverá ser colocada no caixão.
Cobre-se o rosto e a parte genital do(a) falecido(a).
Delicadamente se lava o corpo com água fria e/ou morna (as vezes com sabonete neutro) e um pano, limpa-se as unhas enquanto orações especificas para cada parte são recitadas, várias vezes se pede desculpas pelo incômodo. Enxuga-se e penteia-se o(a) falecido(a).

Mortalha Mortuária:
Após a lavagem e purificação o corpo é vestido com uma mortalha (TACH'RICHIM), toda feita de tecido branco 100% natural (linho ou algodão). No antigo Templo, o sumo Sacerdote usava uma simples vestimenta de linho branco no dia mais sagrado do ano, YOM KIPUR, o único dia em que lhe era permitido entrar no "Santo dos Santos". Lá ele confessava a Deus, e pedia o perdão divino pelos seus pecados e os pecados do seu povo. Analogamente, quando a pessoa morre, ela vai ao encontro do Criador envolta numa simples roupa branca, símbolo de humildade e pureza.
Composta de uma calça fechada nos pés, uma camisa, um camisão, um cinto do próprio tecido que é fechado com 7 tranças ( nós são proibidos) em cada trança é recitada uma palavra do versículo 11 do salmo 91 composto de sete palavras e por fim um capuz cobrindo a cabeça e o rosto (os cohen, descendentes dos sacerdotes, ainda recebem luvas para as mãos).
Antes de se colocar o capuz, é colocado uma pequena pedra sobre cada um dos olhos e outra nos lábios. Este ato simboliza que ao chegar junto ao Criador (a criatura retorna ao Criador), não poderá questionar a sua morte e tão pouco deverá ver o Criador antes do Dia do Juízo Final.
Joga-se terra sobre a cabeça (do pó viestes ao pó retornas) e nas genitálias (criação vem da terra, as genitálias apenas são um meio).
Duas forquilhas são colocadas, uma em cada mão para mantê-las abertas (Deus recebe todos de braços abertos e os toma pelas mãos e os conduz ao paraíso).
Um lençol branco é colocado aberto dentro do caixão e por cima dele é deitado o corpo ( no caso de homens o seu TALIT que os envolveu em vida, os acompanha, cortando-se as franjas TSITSIT para invalidá-los) e o lençol é dobrado sobre ele.
O caixão é fechado e um pedacinho da mortalha é entregue para o parente enlutado mais próximo. 

O Cortejo:
O caixão é levado ao velório onde prece (Salmo 16) é recitada e pelo oficiante em nome de todos desculpas formais são pedidas ao morto, se em vida alguém o destratou ou o desonrou, para que ele não leve mágoa para a sepultura. Pede-se em nome dos funcionários do cemitério desculpas pelo que pode eventualmente acontecer durante serviço religioso.
Para os enlutados se rasgam as roupas (KERIÁ) na altura do peito. É um antigo e tradicional sinal de luto entre os Judeus "E rasgou Jacob suas vestes...e enlutou-se por seu filho (José) muitos dias".(Genesis 37,34 ). Também David rasgou suas vestes ao saber da morte do Rei Saul e seu filho Jonathan.
O oficiante da cerimônia inicia um corte vertical e o enlutado com a mão, aumenta o rasgo até que tenha 8 cm, proferindo a benção "Baruch Dayan Emet", "Bendito seja o verdadeiro Juiz" demonstrando assim que apesar da tragédia, sua crença em Deus e na justiça divina continua inabalável.
Umas palavras de elogio ao morto (HESPED), quando vivo, são proferidas por quem quiser, no sentido de exaltar suas virtudes como pessoa, nunca mencionando condição social.
Começa assim o cortejo fúnebre, o acompanhamento (LEVAIÁ).
Um filho homem não pode carregar o caixão de seu pai, mas pode carregar o da mãe.
O cortejo segue para a cova parando sete vezes no percurso (acredita-se que ao parar e colocar o caixão no chão, o falecido estará se acostumando com sua nova moradia, e este movimento ajuda a alma a se libertar do corpo) se recita o salmo 91( nos feriados não se para pois o sepultamento é feito em rito sumário).
O caixão é lentamente colocado na cova com a cabeça do(a) falecido(a) voltada para o Oriente...Jerusalém O oficiante joga três pás de terra recitando, do pó viestes ao pó retornas, "Porque és pó, e ao pó tornarás" (Gênesis 3:19).
Convida os presentes a fazerem a mesma coisa, a pá deverá ser fincada na terra, e não passada de mão em mão (acreditam que não se deve passar uma coisa trágica para outro), este ato simboliza a única boa ação PURA que se faz, na certeza que ele não retribuirá e não agradecerá.
Se convida os presentes a formarem duas colunas para que os enlutados passem no meio, não há condolências.

Saída do Cemitério:
Antes de se sair do cemitério os Judeus tem por hábito de lavar as mãos (NETILAT IADAIM) com uma caneca derrama-se água, primeiro sobre a mão direita e depois sobre a esquerda assim sucessivamente até esvaziar a caneca. Pelo mesmo motivo da pá, não se deve passar a caneca. Lavam as mãos porque a água é o símbolo da vida, reafirmando assim a sua crença de que a vida é mais forte do que a morte, também simboliza que as mãos que estão sendo lavadas não derramaram o sangue (a água sai limpa) e que não recai sobre a pessoa essa responsabilidade.
Após lavarem as mãos, os Judeus deixam que elas se sequem naturalmente, sem usar toalha. Simbolicamente, demonstrando assim seu desejo de jamais obliterar seus laços com o(a) falecido(a) e, pelo contrário, conserva-lo(a) em sua memória para todo o sempre.
A porta de saída, diferente da de entrada, é aquela que tem um arco na parte superior, simbolizando que apenas os vivos sabem atravessar a "ponte" que liga ao mundo dos vivos.
É costume dos Judeus, ao voltarem de um enterro, não irem direto para casa, e sim parar em outro lugar para "despistar o Anjo da Morte" e também comerem algo doce para tirar o amargor do evento.

 
 
 
 
 
 
 
 

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